Corporativismo médico

Belo post acerca da falta de médicos em Portugal. Ver aqui.
A análise é baseada no mercado e no preço de ser médico ou o preço que pagamos por um, gosto em particular deste excerto:

“O primeiro preço é a nota de entrada na Universidade. Para se entrar num curso de medicina os alunos têm de ter médias absurdamente altas, perto dos 20 valores, que não são comparáveis às de qualquer outro curso. Um estudante que queira seguir medicina pura e simplesmente deixa de ter vida pessoal entre os 15 e os 17 anos. A sua única vida é estudar. Um preço tão absurdo, de tão elevado que é, indica que o número de vagas nas universidades é escassíssimo.

Podemos observar um segundo preço. O preço das consultas de qualquer especialidade. Por mais curta que seja, muitas vezes não mais do que 10 minutos, é caríssima. E nos restantes países europeus, ao contrário do que seria de esperar, não é mais cara. A conclusão, óbvia, é a de que em Portugal há poucos médicos para a quantidade de doentes.

Há ainda um terceiro preço. Os salários dos médicos. Não tenho dados, mas conheço o que toda a gente conhece. Os médicos espanhóis que trabalham nos nossos hospitais, quando entrevistados, são unânimes a declarar que aqui ganham mais do que em Espanha. Mesmo não tendo dados salariais, basta olhar para os movimentos migratórios para perceber este ponto. Enquanto que cada vez mais portugueses fogem para Espanha em busca de melhores salários, pelo contrário, são os médicos espanhóis que vêm para Portugal. A única explicação plausível para este movimento em contra-corrente, reside no facto de os salários dos médicos em Portugal serem maiores do que em Espanha. Como o rendimento médio espanhol é bastante mais alto que o português, tal é sintoma de que, em termos relativos, os salários dos nossos médicos são elevadíssimos.”

O texto diz tudo, muito claro e sucinto apesar dos superlativos.

17 thoughts on “Corporativismo médico

  1. Os médicos tÊm salarios baixissimos. Se soubessem o que trabalham…a profissão mais difícil de todas. Pelo que faze deviam ganhar dez vezes mais.

    1. Há controvérsias. Podem ganhar pouco no serviço público, mas é neste que eles se tornam conhecidos. Também podem trabalhar em inúmeros Hospitais, é lógico que no público o tratamento p/ com os pacientes é o pior possível, pela maioria que se acham “deuses”. As pessoas tem q/ aprender, muitos desses mercenários ganham dinheiro dos pacientes em seus consultórios particulares c/ a promessa de assistí-los , na hora “h”, abandonam-os no público à mercê dos “donos do plantão”.

  2. A sua definição de baixo é diferente da minha.

    E quem é que não acha que deve ganhar 10x mais pelo que faz?

    Conheço muita gente na área da saúde. Como em todas as profissões uns trabalham muito, outros trabalham menos.

  3. Muito boa tarde!
    Durante a minha pesquisa para um trabalho da faculdade, acabei por “esbarrar” neste post do blog!
    Lamento, mas tenho que corrigir alguns pontos. As notas de entrada nas faculdades de medicina são “absurdamente” altas porque os alunos têm capacidade para tirar essas notas. Como é óbvio, uns terão de trabalhar mais que outros para obter os mesmos resultados, mas penso que tal é transversal a qualquer curso. Quem dita as notas de entrada nos cursos são os próprios alunos e, como tal, se estes tiram melhores notas, é natural que as classificações subam. Se temos bons alunos e estes até gostavam de utilizar as suas capacidades no curso de medicina, vê algum mal nisso? É que eu não vejo, valorizo até!
    “A sua única vida é estudar”: é de facto verdade, pois com a vida das pessoas não se brinca e a única forma de o fazer é mantermo-nos constantemente actualizados. De resto, o mesmo se devia esperar de um profissional em qualquer outra carreira. Posso, no entanto, descansá-lo porque a minha experiência demonstra que os alunos de medicina mantêm o seu tempo livre (de facto, mais reduzido) ocupado da melhor forma! Desde os convívios sociais com os colegas/amigos, passando pelo desporto (caso não tenha reparado, muitos dos melhores atletas de alta competição nacionais frequentam o curso de medicina…) e nunca deixando de cultivar a sede de cultura, os alunos de medicina mantêm uma vida social bastante saudável. Arrisco-me a afirmar que, muito provavelmente, sabem aproveitar melhor o seu pouco tempo livre do que outros colegas!
    Em relação ao número de vagas ser baixo: um conselho, seja internado num hospital universitário e depois diga-me se gosta de ter entre 6 a 10 alunos a fazer-lhe perguntas e a observá-lo? Considera isto um ensino médico de qualidade? Quer que o ensino do seu futuro médico tenha qualidade ainda pior do que já tem? Sim, porque as vagas podem até aumentar, mas as condições físicas para receber estes alunos permanecem as mesmas; logo, é na qualidade do ensino que estas se vão repercutir!
    “preços das consultas”: estará a referir-se, concerteza, às consultas de especialidade na privada e aí só lhe posso dizer uma coisa, se vai à privada é porque está disposto a pagar por isso. O conhecimento, a qualidade e o tempo dispendidos pagam-se! E quando o médico, muitas vezes, prescinde do seu tempo livre para poder dar consultas, não me parece incorrecto cobrar por isso; é óbvio que um médico faz privada para fazer dinheiro, não tenhamos ilusões, mas a verdade é que as pessoas não se importam de pagar para poder ter uma consulta quando querem, sem ter de esperar horas… Se eu precisar de um canalizador, também lhe pago pelo seu trabalho (por vezes, até mais do que pagaria por uma consulta de especialidade) e, contudo, não faço comentários acerca do vencimento dos canalizadores; afinal de contas, eles têm conhecimentos que eu não tenho e não me considero em posição de julgar se o preço que me pedem é, ou não, correcto. A alternativa a recorrer aos seus serviços seria fazer um curso intensivo de canalização, o que sinceramente não faz parte dos meus planos… Por acaso, faz parte dos seus fazer um curso de medicina? Quanto à sua conclusão óbvia de que em Portugal há falta de médicos, devo discordar; poderia ter alguma razão se afirmasse falta de médicos de família, ou de uma ou outra especialidade…mas até isso está a ser remediado, portanto não posso concordar com a sua afirmação!
    Em relação ao último ponto, acho deveras interessante o seu comentário ao salário dos médicos quando não faz a mínima ideia de qual seja! Caso não tenha percebido, os médicos espanhóis vêm para Portugal por uma única razão: a entrada nas especialidade em Espanha é bem mais difícil que em Portugal; o que se explica pelo número de alunos de medicina excessivo e, consequentemente, o número de médicos a mais que se verifica em Espanha. Este facto justifica, por si, os movimentos migratórios de que fala! A realidade é que estes médicos espanhóis vêm ocupar as vagas que os médicos portugueses não preenchem, ou seja, no interior do país; não por falta de médicos, mas por falta de condições dadas aos mesmos nestes locais!
    Resumindo, penso que devia deixar as suas conclusões óbvias para quando estiver em posse de toda a informação. É muito fácil criticar o que não se conhece…talvez devesse perder algum tempo a “estudar” o assunto para que equívocos deste género não se repitam.

  4. Está aqui um belo testamento. Bem, li as últimas quatro frases e como está a dizer que as conclusões são minhas, suponho que não leu sequer a primeira linha do meu post. Estou a ganhar por 3!

    Se não me engano, o autor do post que referencio na primeira linha é professor de economia. Se ele fez ou não algum “estudo” não sei.

    Abraço,
    Artur

  5. De facto, li todo o post… Se reparar, apesar do texto não ser de sua autoria, deixa bem explícito que “O texto diz tudo, muito claro e sucinto (…)”; ora, só posso concluir que concorda com o mesmo! Assim sendo, peço desculpa pelo erro, pois as “conlusões óbvias” não são realmente suas…apenas fez delas as suas palavras. Se não é este o caso, também devia ter mais atenção ao que escreve…

    Cumprimentos.

    1. Agora até fiquei doente, um médico tem um vencimento a rondar os 5 mil? pois não admira que o pais esteja onde está.
      Senhores médicos tenham vergonha na cara e pensem em quem ganha o ordenado minimo, são esses que descontam para sí.

      1. ÉS ridiculo. isso são os chefes de serviço, um em 200. ou seja, o máximo q um medico pode ganhar são 5 mil euros, com 50 anos e uma vida de dedicação,e sendo o melhor, o mesmo q ganha um gestorzeco da nova depois de 10 anos de trabalho. Ganha-se mal tendo em conta as 60 horas de trabalho semanais medias q se trabalha, e tendo em conta q são dos mais inteligentes e estudiosos de portugal. em vez de mandarem vir com os medicos, mandem vir com os administradores e gestores e engenheiros q ganham milhoes. q ressabianço… Vai ver os salarios da pt e ri-te tambem.

  6. Nesta discussão é importante ter em atenção:
    1- A dificuldade no acesso ao curso é menor que nos Estados Unidos e países nórdicos.
    2-Idêntica a França, UK, Alemanha, Bélgica, Holanda.
    3- Mais dificil que Espanha e Itália e países do último alargamento.

    A entrada nas especialidades é muto mais fácil em Portugal que nos países acima citados. Motivo: barreira da lingua.
    Os espanhoi já são perto de 50% dos candidatos.
    Portugal tem formado mais anestesistas espanhois que portugueses nos ultimos anos. Quando acabam têm emprego gsrantido em Espanha.
    No último fim de seemana a Junta Galega publicou anúncios no Público (norte) e JN a solicitar ingresso imediato para: Anestesistas, Medicina Interna e Médicos de Família

  7. Boas.
    Apenas para clarificar algumas opinioes: os alunos de Medicina que entram com estatuto de alta competicao, na sua grande maioria nao entra porque conseguem aliar uma grande componente academica com uma vertente excepcional a nivel desportivo. eles entram pois possuem vagas especiais para eles…
    De facto em POrtugal os medicos ganham bastante mal. Basta comparar com os ordenados nos EUA ou mesmo com os nossos vizinhos Espanhois. O que se passa e que os medicos podem fazer privado fora do seu horario normal de trabalho, mas isso nao e ordenado. E como os professores darem explicacoes. Mas o interessante e que, aos professores ninguem lhes pede recibo… Nem se diz que os professores ganham mais por isso.
    Ja a situacao de Espanha e a seguinte: parece que e facil entrar na Faculdade, pois grande parte delas sao privadas. No entanto a dificuldade maior esta na entrada para a Especialidade no pais vizinho.Ai, escolhe-se Portugal. Ou seja, a seleccao em Portugal e feita a entrada da faculdade. Ja em Espanha, a seleccao mais rigida e feita na escolha especialidade.
    POr outro lado encontro muito poucos especialistas nos hospitais portugueses: os vencimentos hospitalares em Espanha sao o dobro que em Portugal…
    Nunca me pareceu tal estranho lobby existisse. So para terem uma ideia, o medico so fica formado aos 32 anos e, nos EUA ganham 300 mil dolares ano. E estes valores sao vencimento pois so trabalham num local.
    Cumprimentos

  8. Boa tarde

    Esta discussão à volta do corperativismo da classe médica já é velha. Para mim a classe médica é uma das mais corporativistas que existe no nosso país. A culpa não é deles mas sim de sucessivos governos que deixaram que isso acontecesse.
    O número de estudantes em medicina é muito reduzido face às necessidades do país e esta situação deriva do facto de, quem exerce medicina, querer manter o seu “status quo”
    A classe médica só há muito pouco tempo foi controlada nos seus horários de forma séria
    A progressão na carreira é quase automática
    Não existe, que eu conheça, limites à acumulação de actividade privada e publica para os médicos sem dedicação exclusiva.
    O País tem carência de médicos e a generalidade da população Portuguesa não pode pagar 50 euros por 20 a 30 minutos de consulta num privado. Isto não é muito dinheiro. É muitissimo dinheiro. Estes exageros só acontecem devido à escassez de profissionais. A forma de combater esta situação é criar mais Universidades, abrir mais vagas e/ou … contratar médicos estrangeiros….

    Cumprimentos

  9. Arranje o que fazer, caro Artur.

    Ler o Harrison´s seria uma boa opção. Suponho que com tanto conhecimento, acerca de tantos assuntos, saiba o que é.

    Cumprimentos

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