Fui ao mato

Ontem estava num daqueles dias em que considerei a possibilidade de morrer de tédio. Tive aulas de informática e o meu cérebro parou. Eu adoro informática, mas tem dias que simplesmente não posso ouvir falar em bits. Tenho que parar, ou o cérebro pára por mim.

O truque é fazer coisas fresquinhas! Por isso, como ontem tinha que ir às compras, lembrei-me de fazer uma coisa que já tinha planeado fazer há vários anos! Comprar comida para engorda! O meu carrinho de compras era o sonho de qualquer puto. Tinha gomas, sumos de todo o tipo, amendoins, pringles, etc. É claro que não posso comer assim de qualquer modo, tenho que arranjar uma desculpa como toda a gente faz. Então planeei na hora que ia começar a fazer uma dieta na semana seguinte. Aquelas compras eram tipo uma despedida de solteiro, onde ia comer tudo o que pudesse para depois entrar em jejum**. Mas jejum é aborrecido, por isso planeei engordar como um mexicano que deu nas notícias estes dias, que disse que perdeu uns 200 Kg e que estava agora com 300 Kg. Ele agora vai escrever um livro acerca de como perdeu peso. Fizeram-lhe um desfile em que o gajo tinha um atrelado só para ele. Ora, eu só tinha que ganhar 430 Kg, e depois para perder 200 Kg bastava parar para dormir! Não fui empreendedor e não segui nenhum dos meus planos. Cheguei a casa, enfardei até adormecer e foi isso.

O mato é já a seguir… Texto brejeiro incluído.

Hoje, fui andar de bicicleta (http://www.bttmariadafonte.com/). Levei uma bicicleta de down hill que é mais pesada (18Kg) que uma bicicleta normal (11 Kg) que costumo andar,  e tem mais atrito devido aos seus pneus largos. A subir, deve ser parecido com nadar com uma bigorna às costas. Se isto não fosse pouco, no início o pé saltou-me do pedal e bati com o joelho no guiador. O dia foi bastante quente e eu ia todo de preto. A prova este ano era mais difícil, grau 4 de 5 e foram 40 Km. Saí por volta das 14:30 horas e cheguei às 19 horas. Mas é claro que isto foram rosas comparado com o que sucedeu a meio!

A bicicleta tem um selim muito duro (estou a escrever isto de pé) e baixo em relação ao guiador, quando vou sentado é parecido com estar sentado num penico.  A barriga encosta nas pernas e pressiona a saída de dejectos*. Deu-me a vontade de ir à casa de banho a meio do caminho. Não foi repentino, foi-se criando o momentum. Não tinha papel higiénico e não haviam casas por perto. Isso e os restantes factores começaram-me a estupidificar e o meu objectivo era chegar ao fim. Era um objectivo estupido, mas pareceu bom na altura. Mas depois comecei a ficar desesperado, mas mesmo desesperado ao ponto de pensar que não ia ter tempo para nada e ia colocar um obstáculo escorregadio no caminho dos colegas que vinham para trás. Já não via nada! Não conseguia andar, não conseguia estar parado! Então tive de ir ao mato! Pousei a bicicleta para lá, comecei a correr pelo mato dentro e depois a cena seguinte pareceu tirada do matrix! Eu tinha vestido uns boxers, uns calções justinhos de ciclista e uns calções normais por cima. Os calções de ciclista têm alças. Também tinha uma t-shirt, um capacete e uma sacola. Eu consegui em cerca de 5 segundos tirar a t-shirt sem tirar o capacete, pôr as alças de lado, baixar tudo o que restava, colocar-me em posição e proceder com a actividade! Foi perfeito, eu dava-me um 10 pela acrobacia. A t-shirt ficou pendurada no mato por cima de mim, parecia que estava num cabide e foi só esticar o braço. A sacola caiu à distância certa para não levar com fogo cruzado, só faltava o papel… Como me tinha esquecido de meias para trocar, tinha pedido a um amigo meu para me levar umas. Como quando ele mas deu, estava longe da minha carrinha, não as pousei, mas meti na sacola. Sim, as vítimas foram as meias. Por isso se alguém vir uma vaca com um par de mais castanhas, que me contacte sff. Talvez isto tenha sido das compras de ontem, talvez não.

Ainda fiquei lá uns cinco minutos, era o momento ideal para fumar um cigarro se não fosse o perigo de explosão e o facto de não fumar. Os passarinhos cantavam (ou estavam a reclamar), via através do mato os meus colegas a passar, e ainda houve um que perguntou: “Quem é que foi defecar?***” ao que respondo “Eu!”. ´Fiquei à espera de uma plateia, mas não me importei, eu estava a aproveitar o meu momento zen. A seguir, saí literalmente mais leve e comecei a andar muito melhor. Foi sinceramente um dia muito divertido!

Esta é uma boa história para os meus netos, e a moral de hoje é: Se pensas que as coisas não podem piorar, pensa outra vez, se tiveres tempo.

* – Eu avisei da brejeirice!

** – Isto é apenas uma nota humorística, em despedidas de solteiro costumo jogar bingo.

*** – eufemismo.

2 thoughts on “Fui ao mato

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